26 de nov. de 2013

Craque... A gente ainda faz em casa?

Esse era um dos lemas do Flamengo. Como poderia ser diferente após aquela vitoriosa geração de Zico e companhia?

Era verdade. Ainda garoto, vi muitos times com inúmeros jogadores das divisões de base. Gente que cresceu dentro do clube e respirava aquela atmosfera e que entendia o que queria a torcida. Raça! A tão falada pele rubro-negra.




Me lembro que nessa época, o Flamengo ainda fazia em casa. Depois vendia. A preço de banana, como foi com Marcelinho Carioca, como se livraram de Djalminha após ele se estranhar com um Renato Gaúcho em fim de carreira, como entregaram o Bebeto pro Vasco... mas ainda fazia craques como Aldair, Jorginho, Leonardo, Zinho, Sávio e tantos outros.

Agora temos a geração que há pouco tempo faturou a Copa São Paulo de Juniores com méritos, mas que vai se queimando na fogueira das vaidades do clube de maior exposição do Brasil. O manto sagrado é, e sempre será, muito pesado. Nem todo mundo tem estrutura pra usar.

Matheus quase foi negociado com o futebol italiano no começo da temporada e está amargando uma merecida geladeira por conta do furdúncio causado. Adryan e Rafinha ainda tem sido relacionados por falta de opções, mas Thomás, Igor Sartori, Rodolfo, Fernando têm encarado um choque de realidade com a volta aos juniores. Nada demais, uma vez que o próprio Galinho oscilou por três longos anos até se firmar no profissional.

A pesar contra, a falta de recursos para contratações, a carência de ídolos, a necessidade de ter elenco para disputar diversas competições simultâneas. Está aí o Cruzeiro que não me deixa mentir, se dando ao luxo de ter no banco Dagoberto, Júlio Batista, Guilherme e companhia.

A necessidade nos faz atirar aos leões essas jovens promessas nesse nosso Coliseu moderno para fornecer o circo às massas. A avidez e carência por craques da bola, que nos tirem por ao menos duas horas da dura realidade do terceiro mundo nos faz atiçar a imprensa do instantâneo por notícias frescas a cada hora. E esta não tem pudor ao oferecer sangue novo: Craque! Bradam os binários enfileirados saltitando a cada "refresh" das páginas.

Em questão de segundos, um garoto com espinhas na cara tem seu ego inflado a níveis portenhos para ser sacado no jogo seguinte sob vaias. Paciência, amigo torcedor. O jogador de futebol é um atleta como todos os outros. Precisa amadurecer. Essa geração precisa de cuidado para dar frutos. E por um golpe do destino e cofres vazios temos justamente a pessoa que pode lançá-los na hora certa. Um treinador que conhece a base, porque dela veio.

Em tempo: A possibilidade de incluir o Luís Antônio na negociação do Elias me parece piada de mau gosto. Lembrem-se do Galhardo que foi pro Santos na negociação do Ibson e agora não temos mais nem reserva pro Léo Moura. Vai Samir!

Raça, amor e paixão, mas um pouquinho de razão também. Para variar um pouco...


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