Interessante o que pode resultar de situações limites na vida dos seres humanos. O Flamengo viveu isso intensamente na temporada 2013. Começou com o desligamento de jogadores famosos e de forte identificação com o clube, ídolos da torcida. Primeiro foi o corte de Wagner Love, o afastamento de Ibson, a demissão do técnico Dorival Jr. e de Renato Abreu, entre outros menos importantes. Este último em circunstâncias ainda meio nebulosas, mas que já não vêm mais ao caso.
A verdade é que num primeiro momento ninguém entendeu nada. Como poderíamos começar o ano dispensando o homem-gol, quando deveríamos contratar gente para jogar a seu lado. Veio a justificativa e caiu a ficha. Seria um ano de austeridade, cinto apertado e sem contratações de peso, sem ídolos, sem títulos. Seria um ano lutando para permanecer na Série A enquanto nova a diretoria limpava a casa.
Já dava para perceber que a situação era séria desde o princípio, com extinção de quase todos os esportes olímpicos, cortes em todos os setores. Saneamento básico. As receitas de 2013 já haviam sido quase todas antecipadas pela desastrosa e desonesta gestão anterior e não havia mais dinheiro para nada. Em poucos meses foram fechados patrocínios que P. Amorim não conseguiu em três anos. Dívidas foram equacionadas, impostos pagos, situações trabalhistas pendentes fecharam acordo. Como deveria ter sido feito desde sempre. Trabalho, competência, transparência. Uma mudança de atitude que teve um efeito de cima para baixo.
Com salários e premiações pagos em dia, promessas cumpridas e seriedade fica mais fácil trabalhar. Quem não deve pode cobrar comprometimento e postura profissional. Esse era o novo Flamengo. O recado estava dado. Não era bonito, mas era honesto. Era o que tinha para ontem.
Com elenco limitado, estava difícil de acreditar. Nem eles mesmos acreditavam. Um técnico demitido por falta de recursos, um por incompetência e outro que jogou a toalha. Quando Mano Menezes pediu demissão, uma luz vermelha acendeu em todos os setores do clube. Mas principalmente onde precisava: No vestiário! Os próprios jogadores identificaram que era necessário mudar, se unir e lutar pelos objetivos. Começaram a cobrar mais uns dos outros e apoiaram o técnico interino.
Trabalho duro traz resultados e com os resultados vem confiança, auto-estima e aquela ponta de esperança. A torcida veio junto e todo mundo sabe que deixou chegar, atura! Viemos, vimos e vencemos! O ano de 2013 acabou, mas uma nova realidade se desenrola para o Flamengo em 2014. Manutenção da base vitoriosa, reforços de qualidade e perspectivas de novas receitas pela classificação à Libertadores. É o que tem pra hoje!
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